Facilitador – O santo de casa que faz milagre!

Existe aquele velho ditado popular que diz “Santo de casa não faz milagre.”, pois bem, acredito que esse ditado pode ser visto por outra perspectiva.

Geralmente nas empresas o cenário que vimos é uma grande parte dos funcionários consumidos por suas tarefas operacionais, as quais após algum tempo viram rotinas tanto de ações quanto de respostas, existem também os funcionários denominados “fora da caixinha” ou “ santo que faz milagre” e é desse personagem que eu gostaria de falar.

O santo de casa que faz milagre antes de ser “revelado”, na maioria das vezes por tentar trazer experiências novas com perspectiva diferente do habitual das pessoas, acaba tendo suas visões ignoradas, suas viagens canceladas e uma baixa na criatividade. Tudo isso ocorre pois, além de suas tarefas cotidianas ele consegue olhar para o ecossistema todo diferente daqueles demais funcionários que estão sendo consumidos com outras prioridades, sendo assim, o “milagreiro” torna-se um ser invisível, pouco inexplorado, executor.

O que me chama atenção é que nos últimos tempos assuntos como Design Thinking, (metodologia criativa para resolver problemas complexos), ou até mesmo outras metodologias e empresas, precisam inovar, resgatar a criatividade, energia e engajamento desses indivíduos que olham o todo, retirando-os do turbilhão de tarefas operacionais e trazendo-os para um ambiente seguro, criativo.

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O resgate da criatividade e inocência, a busca pelo desconhecido, aprendizado com os erros e aceitação de comportamento e de pensamento das pessoas faz parte de um processo de um facilitador.

Mas afinal qual é o papel do facilitador? Como eu identifico um facilitador?
O facilitador joga respostas? Dá respostas?
A facilitação está relacionada a vida pessoal ou vida profissional?

A palavra facilitação tem por definição: Ação ou efeito de facilitar (descomplicar) (facilitar + ação) portanto, quando imaginamos o nosso cenário carregado de atribuições e que agora exige a mudança do novo e o resgate criativo, assim como em qualquer processo de mudança é necessário uma entrega. Essa entrega não precisa ser necessariamente tangível, mas acima de tudo ela precisa ser sentida.

Em todo processo de mudança existirá a complexidade e a dificuldade, só que a partir do momento em que você começa a entender o papel de facilitador, se identificar e começar a praticar a descomplicação das experiências o autoconhecimento, o momento em que você deixa de trazer todas as coisas para si e compartilha dos seus desejos, ideias e vontades com o time o seu prisma ampliará intensificando assim possibilidades e oportunidades jamais vistas se você continuasse no território seguro.

Algumas características são importantes para a evolução e radiação do facilitador no ambiente em que ele se encontra, dentre elas estão:
Aprender a ouvir o que foi dito;
Entender o contexto que aquilo foi dito;
Fazer observações;
Estar aberto;
Ser tranquilo;
Ser paciente;
Estar disposto;
Ser presente;
Ser confiante;
Ser sorridente;
Criar conexão com as pessoas;
Dentre tantas outras que o tempo e a experimentação revela.

Fazer as coisas caminharem de uma maneira fácil, compreendendo a complexidade juntamente com o grupo, criar um ambiente de dúvidas onde exista ausência de respostas e o aprendizado é o papel do facilitador. O grupo não pode ser dependente de uma rotina, de um único caminho, o facilitador deve inspirar, reconhecer que cada pessoa tem algo a entregar e empoderá-los a ponto deles navegarem entre a ambiguidade e o caos.

O santo que faz milagre também conhecido como facilitador precisa de autoconhecimento, de desprender do óbvio, experimentar o novo, questionar sempre, buscar aprender/compartilhar todos os dias com atos, observações, leituras, tudo com um olhar apreciativo, valorizando o erro e evoluindo com ele.

“Facilitation is any activity that makes tasks for others easy” by Phillipp Breil

Esse é um dos assuntos que venho estudando e exercitando nos últimos tempos. O autoconhecimento e as experiências vividas e compartilhadas são muito satisfatórias.
Sair de territórios seguros e não cair em soluções óbvias não é uma tarefa tão fácil, exige disciplina, exige prática, reflexão.

Se você é uma pessoa “fora da caixinha” ou “santo de casa que faz milagre”, como está sua: a empatia, seu autoconhecimento, comprometimento, a sua expressão, o seu conhecimento, sua visão do ecossistema e a sua resiliência?

Se você acabou de se identificar, comece a observar atentamente o que as pessoas dizem e o que as pessoas fazem. Se quiser intensificar um pouco o exercício tente trabalhar um pouco a empatia, a colaboração e a experimentação, pilares do Design Thinking.
Empatia: A capacidade de se colocar no lugar do outro, lembrando que aquelas sensações não são suas;
Colaboração: Compartilhar ideias, trabalhar em conjunto com as pessoas;
Experimentação: Não dizer o que acha, dizer o que sabe. Tentar sair das soluções rápidas e obvias.

Espero que tenham gostado e que de alguma maneira eu tenha entregado algo à vocês.

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