Lidando com exceções

 

Recentemente reli o livro Código Limpo – Robert Cecil Martin, e um assunto me chamou atenção: – Boas práticas com exceções! 

Não sei você leitor, mas quando comecei a programar há alguns anos atrás, tive dificuldade com exceções. Não no âmbito de funcionamento, mas sim em saber quais as melhores práticas, assunto o qual abordarei logo abaixo com base no livro citado acima:

O que é interessante sobre exceções é que elas definem um escopo dentro de sua aplicação. Quando executamos uma instrução no try, assumimos que pode ser cancelada a qualquer momento e, então, devemos continuar no catch de forma que estabilize a aplicação após um comportamento inesperado.

Ok. Até ai tudo numa boa. Mas o que usar? Exceções verificadas (Exception) ou não verificadas (RuntimeException)?

Exceções verificadas violam o princípio do Aberto-Fechado. Como assim?

Considere uma hierarquia de N chamadas e digamos que um método de nível mais baixo fosse refatorado para lançar uma exceção verificada, a assinatura do método deverá adicionar uma instrução throws. Ai que está, cada método chamador do nosso método refatorado deverá ser alterado para capturar a nova exceção ou anexar uma nova instrução trows. Neste ponto fica claro a quebra de encapsulamento, pois funções no caminho de um lançamento (throw) devem enxergar os detalhes daquela implementação de nível mais baixo. Podemos ver que uma simples alteração é propagada por todo o sistema e o resultado é uma cascata de alterações.

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Exceções verificadas podem ser úteis se você está desenvolvendo uma biblioteca crítica, mas em geral os custos da depência superam as vantagens.

Forneça exceções com contexto

Suas exceções devem fornece o contexto, ou seja, a identificação do erro. Crie mensagens de erro informativa e passe junto à exceção.

Há algumas formas de identificar erros: Pela origem – vieram desse ou daquele componente? – ou  pelo Tipo  – são falhas de dispositivos, de redes, ou erro de programação? –

Defina as classes de exceções conforme as necessidades do chamador. Ex:

ConnectionPort port = new ConnectionPort();
try {
  port.open();
} catch (DeviceResponseException e) {
  reportPortError(e);
  logger.log("Device response exception", e);
} catch (ATM1212UnlockedException e) {
  reportPortError(e);
  logger.log("Unlock exception", e);
} catch (GMXError e) {
  reportPortError(e);
  logger.log("Device response exception", e);
} finally {
  ...
}

O que fazemos é padrão, registramos o erro e nos certificamos que podemos prosseguir. Há muita duplicação de código e a tarefa é a mesma independente da exceção, logo podemos simplificar nosso código consideravelmente:

LocalPort port = new LocalPort(8081);
		
try {
  port.open();
} catch (PortDeviceFailure e) {
  reportError(e)
  logger.log(e.getMessage(), e);
} finally {
  ...
}

Pegamos a API e encapsulamos em uma classe LocalPort que é um wrapper (“empacotador”), que usamos para capturar e traduzir as exceções lançadas por ConnectionPort:

public class LocalPort {
  private ConnectionPort innerPort;
	
  public LocalPort(int portNumber) {
    this.innerPort = new ConnectionPort(portNumber);
  }
	
  public void open() {
    try {
      port.open();
    } catch (DeviceResponseException e) {
      new PortDeviceFalure(e);
    } catch (ATM1212UnlockedException e) {
      new PortDeviceFalure(e);
    } catch (GMXError e) {
      new PortDeviceFalure(e);
    } finally {
       ...
    }
  }
}

Se seguirmos as dicas passadas acima, acabaremos com um código bem dividido entre tratamento de erro e lógica de negócio, o que ajuda a tornar o algoritimo limpo. Empacote suas APIs, lance suas próprias exceções e defina um controlador capaz de lidar com qualquer processamento abortado. Na grande maioria, esta é uma ótima abordagem, mas há situações nas quais talvez você não queira lidar com as exeções.

E este será assunto para um próximo post relacionado a exceções.

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